terça-feira, 14 de abril de 2015

A educação proibida (La educación prohibida)

Poucos temas são tão universais quanto a educação. Atualmente é quase impensável que crianças que não frequentem uma instituição escolar, pois ao menos em tese a educação é um direito de todos. Nesse documentário os diretores argentinos German Doin e Verónica Guzzo coletam materiais em oito países latino americanos para fazer uma crítica ao modelo de educação tradicional, tão antigo e tão anacrônico, apesar de generalizado.

Apesar do filme não ter material gravado no Brasil, nosso país não difere quase nada das situações homogêneas apresentadas e, sobretudo quando o governo lança o lema “pátria educadora” o assunto abordado no filme ganha ainda mais notoriedade.

Ninguém nega que a educação em nosso país precisa melhorar. Porém quando as necessidades avançam, as divergências começam a aparecer. Como fazer com que a educação melhore? O que significa uma educação de qualidade? Essas e outras perguntas atormentam governos e educadores pelo mundo e diante da dúvida sobre qual o caminho a ser tomado, seguimos com um modelo educacional que não evolui.

Os métodos pedagógicos melhoraram. Se pensarmos que o uso de palmatória era absolutamente normal e ainda existiam outros tipos de castigos físicos, o avanço foi enorme. Porém muitos ainda se baseiam em características passadas como referência de uma boa educação.

O modelo considerado ideal por muita gente é o de uma sala com crianças enfileiradas, em um silêncio sepulcral, ouvindo e anotando o que os professores têm a dizer. A utopia dessa ideia não se restringe ao fato de que antigamente isso era conseguido com base no medo de castigos físicos. Cada vez mais a ideia de uma educação totalmente passiva é ultrapassada por métodos muito mais eficientes.

Vemos no documentário a importância de cativar as crianças desde cedo para que elas não olhem para a escola como uma obrigação, mas como um lugar que será útil de alguma forma e simplesmente não há como fazer isso excluindo as brincadeiras que são inerentes ao universo infantil.

Ainda que não se de conta disso, ao brincar uma criança coloca em prática muito do que aprende – ou deveria aprender – em sala de aula, mas de uma forma muito mais atraente, consequentemente muito mais produtiva, do que sentada em uma cadeira desconfortável, sendo coibida de todas as formas possíveis.

No Brasil, durante as campanhas eleitorais, uma promessa muito frequente há várias eleições é o ensino em tempo integral. Com isso os educadores concordam, porém de nada adianta simplesmente estender o atual modelo para um período maior. Causaria apenas mais repulsa nas crianças que já não veem sentido no que os professores falam.

O ensino em tempo integral deveria diversificar as atividades e oferecer ferramentas para que os estudantes possam por em prática aquilo que mais gostam. É inútil colocar dezenas de estudantes em uma sala, desprezar as individualidades, aplicar o mesmo conteúdo e esperar que todos aprendam da mesma forma. Esse é o modelo vigente há muito tempo, portanto pode até dar resultados, mas para cada exemplo de sucesso há um exército de potenciais desperdiçados pela escola.

Por aqui as escolas particulares são vistas como modelo, sobretudo quando comparadas às piores escolas públicas, das quais alunos concluem o ensino médio muitas vezes sem saber ler e escrever. De fato é de se pensar o que esses estudantes fazem ao longo de toda a vida escolar se todo esse tempo não foi suficiente para aprender o mais básico. Por outro lado as escolas particulares não são isentas de críticas.

Uma visão utópica do filme mostra a importância das crianças receberem amor dos educadores e da própria família. As escolas particulares do Brasil tem um único foco: preparar o aluno para a vida profissional. Com currículo voltado para a aprovação no vestibular e um ambiente competitivo que instigue os estudantes a pertencer ao mercado de trabalho, as escolas não se preocupam em formar cidadãos, mas somente profissionais que terão sucesso – econômico – no mercado de trabalho, estimulando desde muito cedo a competição em detrimento da cooperação.

Parece que por mais que a sociedade mude e a pedagogia se desenvolva, a educação continua tendo como base valores como o medo, a competição, a obrigatoriedade. Não chega a ser uma grande surpresa termos uma sociedade violenta e assustada.

Curioso que apesar do Brasil não ter tido participação nas gravações, marcamos presença através de citações de Paulo Freire, um dos educadores mais respeitados do mundo, frequentemente hostilizado em seu próprio país, por pessoas que insistem em encarar teorias que visam maior equidade como inimigas a serem combatidas.

Precisamos definitivamente melhorar nossa educação. A partir disso será mais fácil melhorarmos as escolas.



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